
Lula defende negociação soberana sobre minerais críticos em diálogo com Trump
- por André Laurentino Rodrigues
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (20) que pretende tratar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a exploração e comercialização de minerais críticos e terras raras. Segundo o chefe do Executivo brasileiro, qualquer acordo deverá respeitar a soberania nacional e priorizar a industrialização no próprio Brasil.
A declaração foi dada durante entrevista concedida a uma emissora local na Índia, onde Lula cumpre agenda oficial. O conteúdo foi transmitido com tradução para o inglês, mas até o momento o Palácio do Planalto não divulgou a íntegra oficial em português.
O que está em jogo
Minerais críticos e estratégicos são insumos considerados essenciais para a economia contemporânea e para setores de alta tecnologia. Eles são utilizados na fabricação de semicondutores, equipamentos eletrônicos, baterias e tecnologias ligadas à transição energética.
Grande parte desses recursos está associada às chamadas “terras raras”, grupo de elementos químicos com ampla aplicação industrial e forte impacto geopolítico. Nos últimos meses, os Estados Unidos firmaram entendimentos sobre o tema com países como China e Ucrânia, ampliando a disputa internacional por acesso a essas reservas.
De acordo com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos, o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Apesar do potencial, a produção brasileira ainda representa cerca de 1% do total global.
Defesa da industrialização no país
Lula reiterou que o Brasil não pretende se limitar à exportação de matéria-prima bruta. Segundo ele, a estratégia do governo é negociar acordos que assegurem processamento e transformação dos minerais em território nacional.
“O processo de transformação desses minerais deve ocorrer no Brasil. Queremos negociar de forma soberana e vender para quem decidirmos vender”, afirmou o presidente, ao destacar que o país não aceitará imposições externas.
De acordo com interlocutores do governo, os Estados Unidos apresentaram a alguns países um modelo de cooperação voltado à exploração de recursos estratégicos. O Brasil acompanhou as discussões, mas decidiu não aderir à proposta nos moldes apresentados.
A avaliação do Planalto é que eventuais parcerias devem garantir transferência de tecnologia, fortalecimento da indústria nacional e manutenção do controle sobre os recursos naturais.
Encontro previsto na Casa Branca
A negociação deve ganhar contornos mais concretos em março, quando está prevista uma visita oficial de Lula à Casa Branca, em Washington. O encontro foi acertado em contato telefônico realizado no ano passado entre os dois presidentes. Antes disso, Lula deverá cumprir agenda na Coreia do Sul.
Além dos minerais críticos, o presidente brasileiro afirmou que pretende discutir com Trump a revisão de tarifas ainda aplicadas a setores da indústria brasileira, bem como pautas relacionadas ao combate ao crime organizado e ao tráfico internacional.
Lula também criticou a forma como decisões são anunciadas por meio de redes sociais e afirmou que levará propostas formais por escrito para a reunião em Washington. Segundo ele, a medida busca evitar interpretações equivocadas e dar maior segurança às negociações.
O encontro ocorre em um momento de crescente disputa global por recursos estratégicos e pode redefinir o posicionamento do Brasil no mercado internacional de minerais considerados essenciais para a economia do futuro.
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