Anvisa aprova vacina contra dengue produzida no Brasil; imunizante será ofertado exclusivamente pelo SUS

Anvisa aprova vacina contra dengue produzida no Brasil; imunizante será ofertado exclusivamente pelo SUS

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Nesta quarta-feira (26), a Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - aprovou a primeira vacina contra a dengue totalmente produzida no Brasil. O imunizante foi feito pelo Instituto Butantan com o apoio de uma empresa chinesa, e teve financiamento do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Social. O Ministério da Saúde irá incluir a vacina no Programa Nacional de Imunização, do Sistema Único de Saúde (SUS). 


A vacina é de dose única e protege contra as 4 cepas do vírus transmissor da doença. A expectativa é que as primeiras doses sejam produzidas e distribuídas ao longo de 2026. A produção também será feita pela empresa WuXi Vaccines, pois o Instituto Butantan não tem capacidade de produzir em larga escala.


Produção e financiamento


De acordo com o Instituto Butantan, a vacina recém-aprovada, batizada de Butantan-DV, é resultado de mais de uma década de pesquisas e do trabalho de centenas de cientistas e colaboradores. Essa vacina começou a ser produzida em 2009 pelo Instituto, quando o Brasil teve aproximadamente 1 milhão de casos da doença e 900 mortes confirmadas. Uma parceria com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos foi responsável pela doação de quatro cepas atenuadas do vírus, estratégia adotada para a imunização.


A produção levou quatro etapas: ensaio clínico nos EUA e formulação própria no Brasil, segurança e capacidade de gerar anticorpos para as diferentes cepas do vírus, avaliação de eficácia (com ensaio clínico no Brasil), e, por último, a solicitação de registro à Anvisa. Na terceira fase, o Instituto Butantan recrutou 16 mil voluntários de 2 a 59 anos de vários estados, e acompanhou cada um deles por cinco anos. Os resultados foram positivos: eficácia geral de 79,6%; eficácia de 89,2% para pessoas que já haviam tido a doença; e de 73,6% para pessoas que não tiveram contato com o vírus anteriormente. Outra publicação posterior revelou uma eficácia de 89% contra dengue grave ou com sinais preocupantes.


Em 2017, o BNDES repassou R$97,2 milhões ao Instituto Butantan para custear ensaios clínicos e a construção de uma planta para escalonamento relativa ao fornecimento da vacina. Esse investimento corresponde a 31% do valor total, que foi R$305,5 milhões. Também houve investimentos de outros órgãos públicos, incluindo o Ministério da Saúde.


Cenário da dengue no Brasil


Em 2024, o Brasil registrou 6,5 milhões de casos prováveis da doença, a maior epidemia desde 1980, quando houve a primeira em Roraima (RR). Com a expansão do mosquito Aedes aegypti para outros estados, a doença foi se espalhando e tornou-se endêmica no país. De 2000 a 2024, foram 24 milhões de casos prováveis e 16 mil mortes.


Em 2025, houve uma redução de 75% dos casos, comparado ao ano anterior. Dados do Ministério da Saúde revelam que até o mês de outubro, foram registrados 1,6 milhão de casos prováveis. Os estados com mais incidência são São Paulo (56%), seguido de Minas Gerais (9,8%), Paraná (6,6%), Goiás (5,9%) e Rio Grande do Sul (5,2%). Já em relação aos óbitos, houve uma redução de  72% em comparação ao mesmo período de 2024, sendo São Paulo o estado com mais registros.


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