
Brasil sai do Mapa da Fome pela segunda vez em quase dez anos
- por André Laurentino Rodrigues
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Um relatório divulgado nesta segunda-feira (28) pela FAO, agência da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, revelou que o Brasil está fora do Mapa da Fome. O país já havia saído da lista em 2014, mas voltou em 2018, e decaiu ainda mais na pandemia.
O relatório "O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI) 2025" foi lançado durante o Segundo Balanço da Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, em Adis Abeba, na Etiópia. Entre 2022 e 2024, menos de 2,5% da população brasileira esteve em situação de subnutrição, deixando a categoria de insegurança alimentar grave. Ainda que esta seja uma boa notícia, o país ainda enfrenta desafios provocados pela desigualdade social.
No Brasil, algumas políticas públicas foram implantadas nos últimos anos para o combate à fome, como o plano Brasil sem Fome, programas de transferência de renda (Bolsa Família) e incentivo à agricultura familiar. Retirar o país do Mapa da Fome foi uma promessa eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cuja meta se estendia até 2026, último ano do atual mandato.
Inflação é uma das responsáveis pela insegurança alimentar no mundo
A inflação é um dos principais índices que regulam o preço dos alimentos. De acordo com o relatório, a inflação dos alimentos teve alta após 2020, causada por fatores como guerras, eventos climáticos extremos e pela pandemia de Covid-19. O número de pessoas que não conseguiram comprar alimentos o suficiente para uma dieta saudável caiu de 2,76 bilhões em 2019 para 2,60 bilhões em 2024. Entretanto, os países mais pobres foram os mais afetados.
QU Dongyu, Diretor-Geral da FAO, pondera: “Embora seja animador ver uma redução na taxa global de fome, devemos reconhecer que o progresso é desigual. O SOFI 2025 serve como um alerta crucial de que precisamos intensificar os esforços para garantir que todos tenham acesso a alimentos suficientes, seguros e nutritivos [...].”
O relatório ainda aponta condições críticas na África e na Ásia Ocidental. No continente africano, cerca de 307 milhões de pessoas enfrentaram a fome em 2024. Na Ásia, esse número chegou a mais de 39 milhões de pessoas. Os dados revelam que a fome é um problema global. Como solução, o documento recomenda que os países adotem medidas de combate à inflação dos alimentos.
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